Hora de voltar à realidade. Segunda-feira. Não queria ir trabalhar. Cheguei atrasada. Entrei no edifício apressada e, no saguão, apertei o botão para chamar o elevador. Instintivamente, olhei para o salão de espera, onde ficam dispostos alguns sofás e poltronas para os clientes aguardarem. Você estava folheando uma revista, sem muito interesse e, quando me viu, largou-a e veio em minha direção:
- Bom dia, Camila. Gostaria de conversar um pouquinho com você, pode ser?
- Bom dia, Gustavo. Eu estou super atrasada e deixei algumas coisas pendentes para resolver hoje de manhã, já que não consegui resolvê-las na sexta, à tarde. Tem de ser agora?
Percebi uma pontinha de decepção com minha resposta indiferente a você, que pensou rápido e me deixou sem saída:
- Não, nós conversaremos no almoço. Passo no escritório para almoçarmos juntos.
Você não me convidou para almoçar, nem sabia se eu queria almoçar com você, se podia. Simplesmente, determinou uma situação, impôs que almoçaríamos juntos e pronto. Fiquei tão surpresa e sem atitude, que só consegui espremer um 'tá'.
O elevador chegou e subimos juntos com várias outras pessoas, que também aguardavam para subir. Quando desci, fiz um aceno com a mão, sem sorrir. Você só meneou a cabeça.
Não quiz ficar pensando nisso, porque poderia desconcentrar-me do trabalho. Quanto mais aproximava a hora do almoço, eu ia ficando mais nervosa; estava me dando um frio na barriga, um gelo na boca do estômago. Tive até de tomar um calmante fitoterápico. A Sandrinha me viu tomando o comprimido e perguntou se eu estava bem. Menti para ela, disse que estava com um pouquinho de dor de cabeça, porque me concentrei demais fazendo uma pesquisa para o Dr. Arnaldo. Ela:
- Daqui a pouco passa. Logo, você vai almoçar e, quando voltar, já vai estar bem.
Almoçar, era aquela palavra que estava me causando calafrios. Não sabia o que esperar daquele almoço.
Quando você chegou, por volta de meio dia e meia, a Sandrinha estava lanchando na copa. Achei ótimo, porque ela poderia falar mais do que deveria e contar que eu não estava muito bem. Mal sabia ela o que se passava comigo! Uma expectativa angustiante...
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