O sol já ardia quando acordei. Atordoada, levei alguns instantes para me dar conta de onde estava e do quê tinha acontecido. Estava só, nua, coberta por um lençol macio de seda, numa cama estranha. Vi minhas roupas arrumadas numa poltrona, meus sapatos estavam ao lado. Pensei em me levantar, me vestir e ir embora. Senti um aroma de café invadir o ambiente. Logo em seguida, você apareceu, lindo, com um 'robe de chambre' de seda, trazendo uma bandeja com café, suco de laranja, torradas, manteiga e geléia. Ainda meio zonza, sentei-me na cama.
- Bom dia, minha princesa. Queria fazer um café da manhã melhor, mas foi o que pude fazer. Dormiu bem, querida?
- Bom dia, amor. Dormi o sono dos deuses. Não vi você quando acordei, pensei que tinha me deixado sozinha.
- Imagine que eu ia abandonar você, deixá-la sozinha! Que idéia! Estava fazendo café pra acordar você.
No meio da bandeja de café, havia uma pequena caixa aveludada vermelha.
- O que é isso?
- É pra você. Eu ensaiei pra lhe dar isso ontem durante o jantar, mas tudo entre nós aconteceu de um jeito tão...
Abri a caixa, havia uma corrente de ouro com um pingente em forma de coração, onde estava gravado "Eu te amo", do outro lado, seu nome. Sorri. Você continuou:
- Você pode achar brega, não vou querer que você use isso, só guarde. Era dessa forma que eu ia me declarar a você.
- Gustavo, não precisava disso pra me falar do seu amor. Eu amo você demais, já falei pra você e não vou me cansar de falar. Eu não tinha certeza que viria acabar a noite na sua cama. Eu queria, mas não sabia o que iria acontecer e se iria acontecer.
- Eu tinha certeza que conseguiria trazer você pra minha cama.
- Pretencioso, convencido!
- Mas não sabia quando, querida! Eu queria tanto você, que ia ficar insistindo. Iria criar desculpas esfarrapadas pra trazer você aqui.
- Engraçadinho!
- A verdade, Camila, eu não esperava que você viesse pra cá. Eu já havia convidado você, uma vez, e você foi tão categórica no seu 'não', que me deixou sem jeito de convidar você, novamente. Quando você disse que eu poderia levar você pra qualquer lugar, eu entendi nas entrelinhas o que você estava insinuando, entendi que estava pronta para assumir uma nova situação.
- Sim, nós teríamos que nos acertar. Já não era sem tempo, né?
- Tenho mais uma coisa pra você.
- Você está cheio de surpresas, senhor Gustavo.
Você retirou do bolso do robe uma caixinha preta e colocou na bandeja, enquanto eu tomava um gole de suco de laranja.
- Abre, tenho certeza que você vai gostar.
Abri e encontrei um lindo par de brincos em ouro branco e safira.
- Gustavo, você...
- Quando nós fomos comprar o presente da Dê, notei que você gostou muito desses brincos, voltei na loja depois e comprei pra você.
- Não acredito! Você é maluco!
- Maluco por você, garota!
Passei um pouco de geléia numa torrada, ofereci a você, que deu uma mordida. Quando levei a torrada a boca, um pouco de geléia escorreu pelo meu queixo. Estendi a mão para alcançar um guardanapo. Você me deteve.
- Espere.
Você aproximou-se e lambeu a geléia do meu queixo. Fechei os olhos e senti sua boca quente pressionando a minha, sua língua a procura da minha. Deixei-me envolver no seu beijo cheio de paixão. Não demorou para estarmos, novamente, um nos braços do outro, abraçados, agarrados, entrelaçados. Deixamos a força desejo tomar conta de nós e de nossos corpos ardentes. Entregamo-nos, um ao outro, com muita volúpia, com todo o poder do nosso sentimento. Foi maravilhoso o prazer que experimentamos nessa entrega total e impudica.
- Você foi incrível, menina!
- Eu aprendo rápido, querido. E você me faz ser instintiva, meu amor.
- Ah! Ia me esquecendo. A Bia tentou falar com você, mas seu telefone cai na caixa postal, então ela me ligou, escondido de seus pais, disse que eles estão preocupados com você, que nunca passou a noite fora de casa.
- Agora que você me fala? Você falou que eu estava aqui?
- Não falei nada, mas sua irmã é esperta, ela disse: "não é da minha conta, mas se vocês estiverem num motel, é melhor deixar a brincadeira pra outro dia, meu pai está furioso."
- Não devíamos... Que horas são?
- Quase nove.
- É capaz de meu pai me matar. Sei que vou ouvir muito.
- Calma, Mila, você é maior, responsável, dona do seu nariz. Não precisa temer seu pai. Não se preocupe. Alguns minutos a mais não vão fazer diferença. Venha, vamos tomar um banho pra despertar. Vou levar você e vou acompanhá-la.
Você estava tranquilo, impassível, enquanto eu, já imaginava o que me aguardava. Sentia-me como uma adolescente, fugida de casa, para ir a um baile. Quando estava quase pronta, só faltando calçar os sapatos, você me abraçou:
- Tudo que eu disse a você, ontem à noite, eu reafirmo hoje. Amo você, minha menina.
- Você, agora, me fez sua mulher, meu amor.
- Eu sei, mas você vai ser sempre a minha menina.
Beijamo-nos.
- É melhor irmos, senão não sairemos daqui hoje.
Você riu.
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