Sorri, ao ver você bem.
- Gosto de ver você assim.
- Acho que você fez algum feitiço pr'aquele remédio fazer efeito rápido. Pouco depois que cheguei no escritório, já não estava sentindo mais nada.
- Não falei que você iria melhorar? Não doeu nada.
- Você falou, minha bruxinha. É que eu não gosto de tomar remédio.
- Ninguém gosta, mas, às vezes, é preciso.
Fomos ao shopping novamente. Dessa vez, sem imprevistos. Compramos um lindo presente para Denise. Passamos numa confeitaria para levarmos um gostoso bolo de massa folhada com creme de baunilha e chantilly, o preferido de sua irmã. Era um jantar familiar, dei-me conta que, as únicas pessoas que não faziam parte do clã, eram eu e o Alex, o namorado da Dê. Por um instante me senti constrangida. Depois, relaxei. Todos me tratavam como se me conhecessem há anos, eu estava integrada na sua família, como você na minha.
Quando conversava com sua irmã, ou outro membro da sua família, sentia seu olhar me observando. Quando você se distraia, eu é que ficava observando você. Seu irmão Augusto, perspicaz, notou nosso jogo de olhares. Aproximou-se de mim e perguntou:
- Até quando vocês vão ficar fazendo esse jogo? Até o gelo virar água?
- Quê? Não entendi, o quê você quer dizer?
- Deixa quieto!
Fiquei sem entender. Mais uma vez, eu ouvia falar em gelo e não entendia. Ninguém me explicava. Eu não ia sair perguntando pra todo mundo. Quem não soubesse o que era, como eu, iria achar que eu estava meio maluca. Mais cedo ou mais tarde, eu descobriria.
Ao final do jantar, todos surpreenderam-se com o presente que Alex deixou para dar para a namorada, após a sobremesa: um lindo anel de ouro. Fez o pedido formal para Seu Otávio e firmou noivado com Denise.
Dona Isabel, muito emotiva, desmanchou-se em lágrimas. Seu Otávio, como todo pai zeloso com a filha, começou a dar recomendações para o jovem. Seu irmão parabenizou o casal e não perdeu a chance de alfinetar você:
- Olha aí, maninho, a caçulinha da família nos passou a perna. Eu pensei que você fosse o primeiro a desencalhar. Daqui a pouco, você vai passar da idade...
- Vai ver se estou na esquina, Augusto.
- Gustavo, Augusto, Denise, Alex, Camila, mamãe, venham todos aqui - chamou Seu Otávio - Este momento merece um brinde, meus filhos. Vamos brindar a felicidade e ao futuro de vocês. Que todos vocês sejam muitos felizes! Isso já fará a minha felicidade e a da mamãe.
Você me abraçou pela cintura com uma das mãos e brindamos com todos. Aproximei-me mais de você e me aconcheguei em seu peito. Seu pai nos olhava com um sorriso de aprovação. Ouvi o Augusto falar baixinho pra sua mãe:
- Acho que o único que vai ficar encalhado sou eu!
Foi uma noite muito agradável. Com o carinho da família e o amor do, agora, noivo, Denise parecia estar superando bem o acontecido. Ninguém tocou no assunto. Num dia festivo, não havia quem ousasse lembrar um fato ruim. Como sempre, você me deixou em casa. Você me adiantou que não poderia almoçar comigo, no dia seguinte. Respirei aliviada, porque teria um encontro, na hora do almoço, que ajudaria na minha decisão de abandonar o Direito. Porém, só queria contar a você, depois que tomasse minha decisão. Não queria sofrer nenhuma influência. Uma vez tomada, essa decisão seria irreversível.
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