Ledo engano. Dormi como uma pedra. Acordei diferente, me sentia outra pessoa. Arrumei-me com esmero, iria jantar com sua família, era aniversário da Denise. Já tinha comprado um presente para ela e sabia que você queria presenteá-la com algo especial, principalmente depois do que ela passara. Liguei pra você:
- Bom dia, querido. Conseguiu descansar?
- Um pouco.
- O que foi? Você não está legal.
- Acordei com um pouco de dor de cabeça, mas não se preocupe, passa logo. Daqui a pouco, passo aí.
- Então, sobe. Vou lhe dar um comprimido e você toma café com a gente.
- Não precisa. Eu detesto remédio. Vai passar logo.
- O remédio não dói, você nem vai sentir que tomou. Não discuta, estou esperando você.
- Discutir com você é perder na argumentação. Até mais.
Quando você chegou, notava no seu semblante que não estava bem. Minha mãe ficou preocupada, disse que era melhor você não ir trabalhar, até prontificou-se em levá-lo num médico.
- Eu agradeço, Dona Carol. Mas vou melhorar com esse comprimido que sua filha me enfiou garganta abaixo.
- Não reclama, crianção. Você tem de estar bem, hoje à noite. Esqueceu do aniversário da sua irmã?
- Se você chegar na casa de seus pais com essa cara, todo mundo vai pensar que você encheu o latão antes da festa - tascou a Bia.
- Dona Carol, só a senhora me trata com carinho. Olha como suas filhas me tratam?!
- Gustavo, meu filho, todas nós aqui gostamos muito de você. Não leve as brincadeiras das meninas a sério. Na realidade, elas estão preocupadas com você.
Minha irmã era muito palhaça, gostava de brincar com as pessoas.
- Claro que estou preocupada, já pensou se ele morre aqui em casa? Como iremos explicar à polícia que foi, apenas, um comprimido contra dor e não veneno que a Mila deu pra ele?
- Eu não daria veneno pro Guto, Bia sem-graça.
- Eu sei, ele sabe, todos sabemos, mas a polícia não.
- Eu não vou morrer, irmãzinha. E você sabe que não sou de encher o latão, como você disse.
- Parem com isso, vocês estão parecendo um bando de crianças em idade pré-escolar - sentenciou Dona Carol, cansada das brincadeiras.
A palavra de Dona Carol foi uma ordem. Resolvemos ir trabalhar. Disse-lhe que, se quisesse, eu acompanharia você, na hora do almoço, se estivesse bem, para comprar o presente da sua irmã. Você disse que tinha uma reunião antes do almoço e poderia não dar certo. Deixamos para o final do expediente. Passei o dia preocupada com você, mas não queria ficar ligando. No fim do dia, seu aspecto era outro. Nem parecia com o Gustavo que tinha passado em casa de manhã.
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