sábado, 25 de setembro de 2010

Muitas mudanças estavam ocorrendo. A empresa em que você trabalha estava expandindo, crescendo e o conjunto de escritórios já não suportava mais atender a demanda que vinha se apresentando. Compraram um pequeno, mas moderno e espaçoso prédio, um pouco distante do centro, e programaram a mudança. Aos poucos, conforme, iam ficando prontas as instalações, móveis e documentos iam sendo transferidos. Você disse que queria ser um dos últimos a ir para o novo endereço e explicou as razões: sua esposa estava para dar a luz, a qualquer momento, e você, como pai de primeira viagem, queria estar por perto.
No escritório de advocacia, também, haviam mudanças. O escritório, também, iria ter sede própria. Dr. Arnaldo e Dr. Felício compraram uma casa, não tão moderna quanto gostariam, mas foi o que conseguiram encontrar não muito longe do centro. Sandrinha havia se formado e, enquanto esperava a sua carteira definitiva da OAB, estagiava comigo. Aliás, ela fazia todo o trabalho, não me deixava fazer nada, com a desculpa da minha gravidez. Eu não reclamava. Dr. Arnaldo e Dr. Felício gostavam muito dela e, como eles sabiam que, depois do nascimento do bebê, eu não voltaria a trabalhar, estavam apostando nela para ficar no meu lugar. Ela já conhecia o escritório, os advogados, o serviço e boa parte dos clientes, por quê investir numa pessoa que nada sabia? Contrataram, por hora, antes da mudança, uma recepcionista, Márcia, eficiente, simpática, mas pouco amigável. Sandrinha explicava o serviço a ela, depois vinha torcendo o nariz. Eu ria, dizia:
- Dra. Sandra, a Marcinha está te chamando na recepção!
- Fica me tirando, fica, Mila! Você não vai ter de ver a cara dessa metida todo dia. Ah, ela não gosta de apelidos, nem diminutivos, nem pense em chamá-la de Marcinha.
- É, Sandrinha é só você, única e exclusiva! E por falar em exclusiva, a senhora está muito bonita, muito produzida, onde pensa que vai? Alguma audiência especial? Ou a audiência será com um certo Dr. Lúcio, após o expediente?
- Dra. Camila, a senhora é muito perspicaz, nada lhe escapa, seria uma boa detetive, uma policial, já pensou na possibilidade? Dra. Camila, delegada de polícia, que máximo!
- Nem pensar, Sandrinha! Longe de mim ficar atrás de bandidos! Ainda mais agora com esse barrigão. E logo mais, com um bebezinho chorando, querendo mamar, um maridão chegando do serviço, esperando o jantar e a mulher chegando junto, com um monte de armas enfiadas nas roupas e toda suja, porque entrou no meio do mato no encalço de bandidos. Imagine a cena! O Guto pegava o nenê e ia pra casa da mãe.
A Sandrinha riu:
- Não seja dramática, Mila. Existem muitas delegadas casadas e que são mães e não fazem esse drama!
- Tá bom, mas essa não é a minha praia! E não tente mudar de assunto, o foco é você, não eu. Vai me contar ou é segredo de estado?
- Não tem jeito, né? Quando você quer uma coisa, você acaba conseguindo. Taí seu marido que não me deixa mentir!
- Não fui eu que pedi ele em casamento! Não mude de assunto de novo!
- Não vou mudar, Mila. Vou te contar. Hoje, não terá nada a fazer, à tarde. Vou almoçar com o Lúcio e não voltarei mais. Ele recebeu uma promoção no escritório em que trabalha e quer escolher uma data para a nossa união.
- Parabéns para vocês dois! Até que enfim vai sair esse casório! Então, logo, a Dra. Sandra fará parte do clube das senhoras casadas!
- Clube do qual a senhora entrou há pouco tempo, não é mesmo, Dra. Camila?
Ríamos de nossa conversa, quando o Dr. Arnaldo entrou na sala. Estava muito alinhado, com um terno escuro, gravata combinando, camisa branca, sapatos lustrosos.
- Meninas, eu e o Felício não voltaremos para o escritório, depois do almoço. A Sandrinha também, não voltará, como já tinha me pedido. A Mila vai fazer um exame e, depende de quanto tempo demorar por lá, talvez, também, nem volte. Se houver necessidade e for urgente, vocês tem como me localizar e ao Felício, se precisarem de alguma coisa, aqui, no escritório, só ficará a Dona Márcia, à tarde.
- Tudo bem. Bom almoço!
Dr. Arnaldo e Dr. Felício iam ser homenageados num almoço na Associação Comercial local pelos trabalhos realizados e por sempre participarem de eventos beneficentes na região. Aquela seria uma tarde sem trabalho para todos.
O interfone tocou:
- Dra. Camila, o Dr. Gustavo está aqui. Posso pedir para que entre?
- Eu já estou saindo, Dona Márcia!
Sandrinha fez uma careta.

sábado, 18 de setembro de 2010

Meu pai, a princípio, ficou apreensivo com a notícia; afinal, a primogênita dele já ia ser mãe. Depois, gostou da idéia de ser avô e de ter um gurizinho ou uma princesinha por perto. Todos, no maior clima de alegria. Sua família, também, gostou da novidade, principalmente seu irmão Augusto, que não perdeu a oportunidade de brincar com você:
- Você não quiz esperar, não é, Guto? Também, se esperasse muito, você ia ficar velho e seria mais avô do que pai, e, talvez, tivesse que tomar aqueles comprimidinhos azuis, ou amerelos, sei lá.
- Você não vai me tirar do sério, seu babaca. Quero ver quando chegar a sua vez.
- Não sei se terei a sorte, que você teve, de encontrar uma "Camila" na minha vida, Gustavo.
- Caro Augusto, a Camila é única. Outra, tenho certeza, que você não vai encontrar. Mas torço que você encontre uma jovem tão companheira quanto ela. Sua hora vai chegar, quando menos você esperar. Pode crer.
- Enquanto isso, vou ter um sobrinho ou sobrinha para paparicar...
- Se eu e a mãe não cuidar, essa criança vai ficar muito chata. Ela nem nasceu e todo mundo quer paparicá-la.
- Se ela ficar chata, maninho, todo mundo deixa de paparicá-la.
Você foi um futuro pai maravilhoso. Desde o primeiro dia, que você soube que eu estava grávida, você sempre se preocupou com o meu bem estar. Toda vez que lhe era possível, fazia questão de me acompanhar no médico e nos exames. Ficava triste e ansioso por notícias, quando não podia ir comigo. Minha mãe e a Bia me acompanhavam. Até meu pai chegou a me levar, numa ocasião.
Dois meses depois, nos casamos no sítio do Dr. Arnaldo. Foi uma cerimônia sem muita frescura, apenas com o juiz de paz. A recepção aconteceu, em seguida, e foi muito agradável. Preferimos não viajar para algum lugar especial, decidimos que programaríamos uma viagem depois que o bebê nascesse e pudesse nos acompanhar. Claro que tiramos uns dias só pra nós dois. Merecíamos uns dias de descanso, para não fazer e nem pensar em nada. Fomos para uma praia particular, próxima da cidade, porém longe do burburinho dos banhistas "habituées".
Fui morar no seu apartamento. Fiz algumas adaptações para deixá-lo com a nossa cara. Não era mais um apartamento de solteiro, agora era de um casal. Resolvemos ficar por lá até o bebê nascer. Enquanto isso, iríamos procurar uma casa que tivesse um bom quintal. Além do bebê precisar de um espaço para brincar quando crescesse, eu queria ter um cachorro. E no apartamento não dava. Seu apartamento era ótimo para nós dois, mas um terceiro membro da família estava por chegar. Enquanto fosse, apenas, um nenezinho, tudo bem.
Resolvii trabalhar no escritório até o bebê nascer, ou enquanto pudesse carregar a barriga, que crescia a cada dia. Você me apoiou na minha decisão. Trabalhando no mesmo prédio, eu estaria por perto, caso precisasse de alguma coisa. E você não iria precisar sair correndo para me ajudar. Além do mais, você poderia me paparicar sempre que estivesse ocioso. Quando não me sentia muito bem, você me deixava na casa dos meus pais, com recomendações para minha mãe cuidar de mim e, qualquer coisa que houvesse, para ligar, imediatamente, para você. Minha mãe acalmava você:
- Ainda não está na hora, Gustavo. Essas sintomas são normais, não se preocupe. Não vai acontecer nada. Vai trabalhar e fique tranquilo, que eu sei tomar conta da minha filha.
Enquanto. isso, eu ia colocando meu projeto em andamento. Conversava com o Carlos, que estreitou relações com vários contatos. Às vezes, ele me dava algumas sugestões, que eu aproveitava, quando me convinha. Você ficava curioso para saber o quê eu tanto fazia na frente do computador. Eu dizia que estava pesquisando, pois queria fazer um novo curso, que desse uma ajuda na minha mudança profissional. Em casa, eu não trabalhava no meu projeto, não queria que você soubesse antes da hora. Depois, poderia não dar certo. Eu não queria criar expectativas. A expectativa, em casa, era a chegada do Tavinho, o nosso filhinho. Quando soubemos que seria um garotão, optamos por homenagear nossos pais, Paulo e Otávio, e escolhemos um nome composto para chamá-lo: Paulo Otávio. E o "baby" logo ganhou o apelido de Tavinho.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Passaram, aproximadamente, duas semanas. Já havíamos começado os preparativos do nosso 'enlace' (que palavra esquisita, antiga, fora de moda!). Enfim, optamos por uma cerimônia mais informal, que aconteceria de manhã, no sítio do Dr. Arnaldo, que seria o seu padrinho.
Entre os preparativos e o meu projeto, eu continuava trabalhando no escritório de advocacia. Você, como sempre, passava em casa para me levar. Às vezes, subia e tomava café conosco, outras vezes, me aguardava no carro.
Nesse dia, especificamente, você não ia subir, iria me esperar na portaria. Eu não levantei bem, estava com um pouco de tontura e enjoada. Apesar disso, me arrumei. Pensei comigo: devo ter comido alguma coisa que não caiu legal, antes de sair tomo algum remedinho e logo melhoro. Engano meu. Quando saí do quarto e senti o cheiro de café, o enjôo voltou com tudo e corri para o banheiro. A Bianca viu e foi atrás de mim.
- Que foi, Mila? Você não está bem? Você está vomitando?
- Alguma coisa que comi me fez mal.
- Será?
- Vou tomar alguma coisa para o estômago, ou fígado, e vou melhorar.
- Você não vai tomar nem café?
- Bia, nem me fale em café que minha ânsia aumenta.
- Mila! Será que você não está grávida?
- Que idéia, Bia!
- Pensa bem, há quanto tempo veio sua última menstruação?
- No mês passado, eu acho.
- Ih, maninha, com tantas coisas acontecendo na sua vida, você se esqueceu de se previnir.
- Pode ser, mas o Guto nunca esquece.
- Nenhuma vez?
- Só me lembro da primeira vez que tomamos banho juntos, mas só ficamos "brincando", como você gosta de falar.
- Taí, acho melhor você fazer o teste da farmácia, desconfio que, daqui a alguns meses, serei titia.
- Nem me fale, Bia. Eu fico apavorada desde já.
- Deixa de ser boba, Camila! Mesmo que você não fosse casar com o bonitão, você vai ter um filho do homem que você ama... Seu telefone está tocando...
- Deve ser o Gustavo, que deve estar cansado de esperar. Atende pra mim, Bia. E pede pra ele subir.
A Bia lhe contou que eu não estava me sentindo bem e pediu pra você subir. Ela não falou nada do enjôo e da disconfiança que tinha. Você ficou todo preocupado comigo:
- Que aconteceu, querida? O que você tem?
- Nada. Estou indisposta.
- Ela está com enjôo - completou Bia.
Minha mãe lhe ofereceu café.
- Não fala em café, mãe, que a Mila fica mais enjoada.
- Mas a Mila gosta de café, Bia.
- Só o nome está me dando enjôo, mãe.
- Filha, você está grávida?
- Amor?...
- Não sei. Estou enjoada. Por enquanto, é só isso.
- Já falei que você tem de fazer o teste da farmácia, para tirar a dúvida. Se der negativo, tudo bem. Se der positivo, você vai fazer outros exames.
- Eu vou até a farmácia buscar esse teste. Eu sou o mais interessado em saber se vou ser pai. Volto logo.
Você saiu em busca de uma farmácia para comprar o tal teste de gravidez. Voltou com três marcas diferentes. A Bia brincou:
- É só a Mila que precisa fazer o teste, Gustavo. Eu e a mamãe não estamos com sintomas.
- Tudo bem, cunhada. Eu não sabia o qual comprar, por isso trouxe os três.
- Vamos fazer isso logo. Também estou ansiosa.
- Vou ajudar você, Mila - disse minha irmã.
Fomos para o banheiro fazer o tal teste. Demoramos um pouco. Bianca quiz usar os três "kits"; não queria que pairasse dúvidas. Sabíamos que você estava impaciente e mamãe, ansiosa. Enfim, saimos do banheiro. Eu e minha irmã estávamos sérias. A Bia fez questão de fazer o comunicado:
- Sr. Gustavo, eu quero avisá-lo que, a partir de hoje, o senhor terá atender todos os pedidos, por mais estranho que pareça, da mãe do seu filho, ou filha. O senhor. vai ser papai de um bebezinho chorão.
Seus olhos, que estavam fixos nos meus, desde que entramos na sala, ficaram cheios de lágrimas. Era a primeira vez que via você ficar tão emocionado, e não conteve as lágrimas.
- Camila, você não sabe como estou feliz! Esse é o presente mais lindo que você podia me dar. Deus me abençoou quando conheci você, agora abençoou nós dois e o nosso amor. Eu amo você cada vez mais!
Você ajoelhou-se, acariciou e beijou minha barriga.
- Não disse que será um bebezinho chorão? Se puxar o pai...
- Gustavo, estou feliz, mas também estou com medo. Nunca pensei em ser mãe assim tão rápido.
- Minha filha, não se preocupe. Tudo vai dar certo. Essa criança já é muito amada por todos. Eu estarei sempre ao seu lado pra ajudar você.
- Não fique preocupada, querida. Não vai faltar quem tranquilize você. Minha mãe também pode ajudar.
- Vai ser uma disputa de avós para paparicar esse pimpolho.
- E você, cunhada, não vai mimar o sobrinho?
- Eu vou ensiná-lo a cantar, ou tocar algum instrumento. Mas só depois que ele parar de chorar e sujar as fraldas.
- Ela fala assim, Guto, mas vai ser a mais grudada ao nenê.
- Tá bom, mas não conte comigo pra trocar as fraldas. E por falar nisso, agora vocês terão de, como diz a Mila, tomar as providências cabíveis: médico, exames, pré-natal, além de começar a pensar no enxoval, etc.
- Querida, faço questão de acompanhar você sempre que for ao médico e fazer os exames.
- E seu trabalho? Nem sempre você poderá me acompanhar, amor. Fique sossegado, a mamãe e a Bia poderão me acompanhar.
- Sabia que ia sobrar pra mim!
- Eu acompanho minha filha, Gustavo. Quando você puder ir, você vai; quando não for possível, eu e a Bianca estaremos com ela.
- Obrigado, Dona Carol. Mas vou fazer questão de ir no exame de ultrassom. Vou querer conhecer nosso filho antes dele nascer.
- Vocês vão querer saber se vai ser menino ou menina? - indagou mamãe.
- Eu gostaria de saber, mãe. Não sei o Guto. Se ele não quiser, tudo bem. Quem chegar, será benvindo, ou benvinda.
- O importante é que nasça com saúde e lindo como a mãe. Também gostaria de saber. Se for menino, já compro uma camisetinha do time do papai. Se for menina, um vestidinho nas cores do time do vovô.
- Vocês torcem para o mesmo time, não adianta querer fazer média. Coitadinho desse bebê! Desde cedo querem ensiná-lo a ser brega!
- Você não tem jeito, maninha!
- Filha, você vai trabalhar? Mesmo indisposta?
- Não vai não, Dona Carol. Vou ligar para o Arnaldo e avisar que ela não irá trabalhar. Mila, ligue para seu médico, ou médica, e veja se pode atender você ainda hoje. Eu irei com você.
- Gustavo, jante conosco hoje. O Paulo gostará de receber essa notícia de você.
- Combinado, Dona Carol. Amanhã, daremos a notícia em casa, para minha família.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Dois dias depois, você recebeu alta e sua mãe insistiu para que você ficasse uns dias com ela e seu pai. Você resistiu, mas acabou aceitando. Eu, também, dei uma forcinha para que você aceitasse ficar com seus pais. Você queria voltar logo para o trabalho e, na casa deles, era mais fácil conter você em casa.
Continuei trabalhando no escritório, naquela semana. Ligava pra você todos os dias e ficávamos um tempão conversando. Naquele final de semana, seus pais convidou-nos para passarmos o domingo juntos. Precisávamos acertar os detalhes do nosso noivado. A família do Alex, também, havia sido convidada. Ele e a Denise acharam ótima a idéia de Dona Isabel de oficializar as duas uniões no mesmo dia. Nós só não íamos casar no mesmo dia. Uma, você tinha pressa e a Dê queria esperar mais. Ela queria um casamento tradicional, na igreja, eu queria uma cerimônia mais informal, menos pomposa.
Duas semanas depois, seus pais recepcionaram a todos com um jantar magnífico. Alex e Denise reconfirmaram o compromisso que já tinham assumido no aniversário dela. E nós oficializamos o nosso noivado, com as alianças e champanhe, como queria minha irmã.
Eu continuava trabalhando no escritório. Contudo, meu amigo Carlos me apontou uma possibilidade. Eu gostei da idéia e comecei a trabalhar nela, a projetá-la, a desenvolvê-la. Nas minhas horas vagas, me debruçava em cima desse projeto.
Minha amiga Adriana, depois de uma longa viagem pela Europa, havia retornado. Estivera trabalhando e fazendo cursos pela empresa. Ela me ligou, querendo saber das novidades:
- E aí, amiga, já deu uns catas naquele cara que você estava paquerando? Ou já partiu pra outra?
- Nem te conto, Dri. Não parti pra outra, não.
- Então me conta. Deu uns catas nele?
- Estamos noivos, Dri.
- Não acredito! Parabéns! Me conta como rolou essa paixão?
- Foram tantos acontecimentos que nos envolveram... Pra começar, ele é filho do melhor amigo do meu chefe, lá no escritório.
Contei a ela como fomos nos envolvendo e nos apaixonando.
- E eu queria aproveitar para convidar você para ser minha madrinha.
- Camila, que lindo! Claro que aceito seu convite. Só tem um problema, eu vou ficar no país até o final do ano. No começo do ano que vem, vou ser transferida e trabalhar numa filial na Europa.
- Nossa, que chique! Mas fique tranquila, meu noivo tem pressa na nossa união.
- Em vez de ser você a ter pressa, ele é que é o apressado? Puxa, que amor!
- E você, como está seu relacionamento com o engenheiro de alimentos?
- Estamos bem. Ele, também, será transferido. Nós iremos morar juntos na Europa.
- Que bom. Que tal marcarmos um almoço ou jantar, para eu conhecer o seu engenheiro e para você conhecer o meu noivo?
- Legal, Mila. Vou combinar com ele e ligo pra você.
- Vou ficar esperando.
Naquela semana, saimos juntos para jantar. Diego, o engenheiro de alimentos era um homem de, aproximadamente, trinta anos e de poucas palavras. Você e eu não ficamos muito à vontade com ele. Já Adriana, era alegre e espontânea, gostava de falar e brincar, como a Bianca. Você a achou muito simpática e chegou a comentar que o cara não merecia a mulher que estava com ele.

domingo, 29 de agosto de 2010

O Dr. Arnaldo disse que precisava dar uns telefonemas, mas desconfio que foi desculpa para nos deixar a sós. Disse que aguardaria seu pai chegar com seu irmão, para começar a tomar as providências cabíveis. Assim que ele saiu do quarto, você disse:
- Estou com sede.
Eu me levantei:
- Eu pego água pra você.
Você me segurou pela mão, quase me puxando.
- Estou com sede da sua boca, do seu beijo.
Impossível resistir ao seu apelo. Passei a mão pelos seus cabelos, acariciei seu rosto com as pontas dos dedos e abaixei-me para beijá-lo. Sua mão entrou por debaixo dos meus cabelos, acarinhando meu pescoço e minha nuca, fazendo com que eu sentisse um arrepio na espinha. Mordi meu lábio inferior, levemente, antes de beijar sua boca. Um barulho no corredor fez eu me afastar.
- Não faz assim, amor.
- Eu estou bem vivo, menina. Este acidente em nada me afetou.
- Percebi. Senti, também. Lembre-se que nós estamos em um hospital. Quando você sair... bom... aí é diferente.
- Por que você não fala o que tem vontade com todas as palavras?
- Você sabe que esse é o meu jeito.
- Deixa de lado essa inibição, pelo menos comigo. Nós vamos viver sob o mesmo teto, minha querida esposa.
- Tá, vou tentar, mas você sabe que me sinto constrangida.
- No começo, sim. Depois você vai se soltando. Vamos tentar. Quando eu sair do hospital, o quê vamos fazer?
- Amor.
- Fala a frase toda.
- Que chato! Quando você sair do hospital, nós vamos fazer amor.
- Você conseguiu! Tá vendo? Daqui a algum tempo, você vai falar transar, depois, fazer sexo, depois trepar.
- Você está muito assanhado! Acho que o acidente afetou sua cabeça! Deve ter caído algum parafuso dessa cachola.
Você riu. Uma enfermeira entrou com uma medicação para ser ministrada. Enquanto isso, fui até a janela, respirar um pouco. Logo que ela saiu, sentei-me, novamente, ao seu lado. Eu tinha ficado séria, porque me senti constrangida.
- Me desculpa, Mila. Deixei você chateada.
- Constrangida.
- Não foi minha intenção. Só queria que você se soltasse comigo.
- Isso vai acontecer naturalmente. Não adianta apressar as coisas.
Nesse momento, a porta se abriu e Dona Isabel adentrou no quarto, com cara de choro, seguida por seu pai, seu irmão e Dr. Arnaldo.
- Filho, o quê foi isso? Você está bem?
Levantei-me e dei meu lugar para sua mãe sentar-se ao seu lado. Juntei-me ao Dr. Arnaldo, ainda sob o efeito do constrangimento que você me causou. Ele percebeu:
- Você está séria, calada. Que foi?
- Nada. Enfim, todo esse estresse com essa situação do Gustavo, me deixou com dor de cabeça. Até saber que estava tudo bem com ele, eu fiquei muito nervosa.
- É melhor você ir para sua casa e descansar um pouco. Eu vou sair com o Augusto, tomar algumas providências e deixo você na sua casa. O Gustavo está bem. E a Isabel não vai sair daqui tão cedo. Amanhã, você volta. E não precisa ir trabalhar.
- Obrigado, Dr. Arnaldo.
Seu Otávio aproximou-se e nos agradeceu por tudo. Dr Arnaldo disse que iria me dar uma carona até em casa, que toda aquela situação tinha me afetado e eu não estava muito bem. Fui até você para me despedir.
- Vou pegar uma carona com o Dr. Arnaldo. Amanhã, eu volto pra ver você, Guto
- Você não está bem, Mila. Que foi?
- Estou bem sim, só um pouco cansada. Amanhã estarei melhor.
- Tem certeza?
- Você vai ver. Vou deixá-lo no colinho da mamãe. Ninguém melhor que Dona Isabel para cuidar desse garotão.
- Obrigado, Camila, por se preocupar com meu filho e cuidar dele com amor e carinho.
- A senhora sabe o que sinto por seu filho.
- Sei, Camila. E sei como ficou angustiada até saber que ele estava bem. Vá descansar, você está precisando, sua carinha não está boa. Amanhã, você estará melhor e poderá vir ver o nosso garotão.
- Tá certo. Tchau, Dona Isabel. Tchau, amor.
Ainda ouvi sua mãe comentar com você:
- Gustavo, você deu um grande susto nessa moça, viu como ela ficou abalada por sua causa?
No caminho para casa, não prestei muita atenção na conversa do Dr. Arnaldo com o Augusto, mas ouvi que falavam sobre o seu acidente.
- É incrível que o Gustavo só tenha quebrado o pulso.
- Pelo que entendi, quando ele percebeu que a colisão era inevitável, ele tentou evitar que batesse de frente e virou o volante para a direita. Isso evitou que ele machucasse as pernas, porém a força com que o "air bag" se abriu, fraturou o pulso. Mas a parte de trás do carro, não teve como evitar. Pelo que sei, ficou bem estragada.
- Puxa! Meu irmão poderia ter quebrado as pernas, ou ficar preso nas ferragens. Que horror!
- Seu irmão é um homem de sorte, Augusto. E inteligente também, ele pensou rápido. Foi o quê o salvou.
Em casa, contei a todos sobre o seu acidente. Disseram que iriam comigo visitá-lo, no dia seguinte.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Procuramos pelo médico que havia atendido você. Disseram que ele ainda estava lhe examinando. Uma enfermeira nos atendeu e pediu que aguardássemos, que o doutor viria conversar conosco, em seguida. Ela perguntou se éramos da família. Como sei que eles só dão informações de um paciente para familiares, respondi rapidamente, antes que o Dr. Arnaldo pudesse abrir a boca:
- Sou a mulher dele. Este é o tio, irmão do pai dele.
O Dr. Arnaldo me olhou, esperou a enfermeira afastar-se e falou:
- Mila, vocês ainda não casaram.
- Me desculpa pela mentira. Se eu não falasse que éramos da família, eles iriam nos negar informações sobre a real condição do Guto. E eu disse ser a mulher dele, não a esposa.
- Você ama demais nosso garotão, não é?
- Mais que tudo, Dr. Arnaldo. Por isso, estou tão angustiada por saber dele.
- Ele é forte, você vai ver que deve estar tudo bem.
- Tomara!
O médico veio conversar conosco. Minhas mãos suavam frio.
- Vocês são parentes do Gustavo?
- Sim. Como ele está?
Médico é pior que advogado, gosta de valorizar, enrolar, falar termos técnicos, dificultar para o interlocutor, para o leigo:
- Nossa preocupação maior são os órgãos internos e a possibilidade de hemorragia. Mas já fizemos uma tomografia e parece que nenhum órgão foi afetado. Seu marido teve muita sorte de estar usando o cinto de segurança e o "air bag" diminuiu bem a pancada. Se não fosse por isso, ele poderia até ter morrido. Ele fraturou o pulso esquerdo e teve apenas escoriações. Ele está bem, mas deverá permanecer em observação por mais vinte e quatro horas.
- Podemos vê-lo?
- Sim, ele foi sedado para não sentir muita dor, deve estar acordando. Vou acompanhá-los.
Minha ansiedade era evidente. O médico abriu a porta do quarto e anunciou, solenemente, nossa presença:
- Gustavo, sua esposa e seu tio estão aqui.
Meio sonolento, deitado na cama, com o rosto arranhado, gesso imobilizando o pulso, você abriu os olhos. Corri para perto de você:
- Meu amor, que foi isso?
Você ficou me olhando, sem dizer nada. Eu olhei para o Dr. Arnaldo, sem entender seu silêncio.
- Guto, sou eu, Mila. Você não está me reconhecendo?
- Claro que estou. Estou olhando como você é linda. Eu não perdi a memória. Tio, só não me lembro do meu casamento com esta bela moça já ter acontecido.
- Que bom que não aconteceu nada de grave com você, Gustavo. A Mila falou que éramos da família porque ficou receiosa que nos sonegassem informações a respeito do seu estado de saúde.
- Que susto, Guto! Eu fiquei apavorada quando a Sandrinha me avisou que o hospital estava me telefonando.
- Não fique, menina. Eu estou aqui, meio quebrado, mas vivo. Logo, estarei inteiro, só para você.
- Eu fiquei tão preocupada que não liguei para sua casa, seus pais ainda não sabem do seu acidente. Queria me certificar que você estava bem.
- Fez bem, querida, em não preocupar meus pais.
- Pode deixar, Gustavo. Eu ligo para meu amigo Otávio. Qualquer coisa, eu passo o telefone para você.
Enquanto o Dr. Arnaldo afastava-se um pouco para avisar seus pais, você tomou minha mão:
- Não vai dar um beijinho neste infermo, para uma recuperação mais rápida?
Dei-lhe um breve beijo em seus lábios.
- Que beijo sem graça!
- Você está num hospital, querido. Prometo beijos mais ardentes para quando você sair.
- Só beijos ardentes?
- Pra começar, não acha que tá bom?
- Então, quero ir embora agora.
- Você não pode. O médico falou que vai deixar você de molho por vinte e quatro horas em observação.
Você beijou minha mão e a apertou, baixou a voz para dizer:
- Eu acelerei um pouco porque queria almoçar com você.
Foi a minha vez de ficar olhando pra você, sem falar nada.
- Que foi? Perdeu a voz?
- Você vai me prometer que nunca mais vai fazer isso. Se tivesse acontecido alguma coisa com você... ai, ai, ai. - As lágrimas voltaram a verter dos meus olhos. - Eu não saberia viver sem você. Por favor, amado, não faça mais essas loucuras, eu não quero perder você. Prefiro ficar sem você por algumas horas, do que ficar sem você pelo resto da vida.
- Eu só queria estar junto de você, querida.
- Nós temos a vida inteira para ficar juntos, você vai até enjoar.
- Garanto que não. Enxugue essas lágrimas, minha menina. Eu prometo que não vou deixar você, mesmo se eu morrer, vou ficar como o "Ghost", ao seu lado, em espírito.
- Não brinca com isso, nem me fale em morrer. Se você morrer, eu mato você.
- Aí eu vou ficar morto duas vezes.
O Dr. Arnaldo juntou-se a nós. Puxou uma cadeira e sentou-se ao meu lado, que estava sentada mais próxima de você.
- Já conversei com seu pai, Gustavo. Sua mãe estava ao lado e, quando ouviu seu pai falando em acidente e hospital, ficou desesperada. Tive de esperar ele acalmar a Isabel, que não parava de chorar. Ela não ficou sossegada enquanto não falou comigo e eu a assegurei que você estava bem, que a Camila estava aqui ao seu lado, que tudo foi grande um susto. Eles estão vindo para cá, com o Augusto. E ele, ficou de ligar para o Alex e pedir a ele que informe a Denise.
- Isso tudo, porque não aconteceu nada de grave, Arnaldo. Imagine se tivesse acontecido!
- Nem queremos imaginar, querido!
- O médico disse que você teve sorte, Gustavo. Você é tão prudente, o quê aconteceu?
- Eu devo ter me distraído por algum instante e, um segundo, basta para acontecer acidente, Arnaldo.
- Ainda bem que você estava com o cinto de segurança e seu carro ter "air bag" foi uma sorte. Foram isso que não deixaram acontecer nada de grave com você.
- E o meu carro? Deve ter ficado bem estragadinho. Será vai ser perda total?
- Não se preocupe com isso agora, Gustavo. Quando seu irmão chegar, vou com ele cuidar dessa questão. Quanto ao seguro do veículo, eu agilizo tudo pra você. Já pedi para o Felício informar sobre seu acidente no seu escritório.
- Obrigado, tio Arnaldo.
- Esse negócio de tio foi idéia da sua esposa.
- É, Arnaldo, ela é bonitinha, e pensa rápido.
- Ei, olha como fala!
Todos rimos.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Na segunda-feira, eu era só sorriso. Nada me tiraria do sério. A felicidade estava estampada em meu rosto. Quando cheguei no escritório, Sandrinha foi a primeira a notar a mudança no meu semblante:
- Bom dia, Mila. Pelo que estou percebendo, o fim de semana foi muito bom. Você está com uma ótima aparência.
- Nossa, Sandrinha, aconteceram tantas coisas neste final de semana. Aliás, desde sexta-feira estão acontecendo muitas coisas, ou melhor, a semana passada toda. Porém, o que interessa é que o final de semana foi maravilhoso.
- Alguma coisa me diz que um certo Gustavo é o motivo principal dessa euforia.
- Parece que está escrito na minha testa, não é, Sandrinha?
- Vai me contar ou vai ficar fazendo suspense?
- Claro, de qualquer forma, você vai ficar sabendo. Nós vamos nos unir, casar.
- Dra. Camila, meus parabéns! Vocês formam um lindo casal.
- Não me chame assim, Sandrinha. Você, não. Eu não vou chamar você de Dra. Sandra, quando você se formar.
- Tá bom, Mila. Me desculpa. Eu considero muito você. Mas, me conta, como o bonitão fez o pedido?
- É uma longa estória. Tenho que começar contando a você o que aconteceu a semana passada. Eu contei da Dê, irmã dele, o quê aconteceu um dia antes do níver dela. Depois, no dia seguinte, no jantar, o namorado dela, o Alex, deu um anel de noivado a ela.
- Tudo isso você me contou.
- Mas não contei o que aconteceu na sexta-feira.
- Não, você foi almoçar e demorou bastante. Depois, quando voltou disse que ia subir até o escritório do Gustavo e quando voltou, pegou suas coisas e foi embora. O quê aconteceu? Vocês brigaram?
- Não. Naquele dia, o Guto não iria poder almoçar comigo. E eu tinha que colocar uma conversa em dia com o Carlos, meu amigo jornalista.
- O Carlos Santana? O Gustavo não gostou, ficou com ciúmes e brigou com você, foi isso?
- Não, o Guto sempre soube que o Carlos é só meu amigo, desde o tempo da faculdade. Acho que ele nunca viu motivo para sentir ciúmes. Eu almocei com o Carlos e, depois, ele me levou até a emissora, para conhecer o "habitat" dele. É interessante, mas deve ser uma loucura trabalhar sempre correndo contra o tempo.
- E...?
- Quando cheguei, não tinha nada para fazer. Eu resolvi fazer uma visitinha surpresa para o meu lindinho. Você nem imagina quem subiu comigo no elevador até o escritório dele.
- Quem?
- A "ex", a tal de Cíntia, um tipo bem perua. Eu não sabia que era ela, mas alguma coisa naquela mulher não estava no lugar. Na verdade, ela não estava no lugar.
- E aí vocês sairam no tapa?
- Sandrinha, você está parecendo minha irmã ou minha amiga Adriana! Eu fiquei na minha, pra ver qual era a dela. Ela disse que estava desempregada e precisava de referências. Eu acabei falando umas verdades para ela. O Gustavo não gostou nada dela ter ido procurá-lo. O clima entre nós ficou chato por causa disso tudo. Resolvemos ir pra casa, cada um pra sua. E deixar a poeira baixar. No sábado, saimos, fomos jantar e...
- E ele fez o pedido?
- Não, eu passei a noite no apartamento dele.
- Ai, ai, ai.
- Como eu nunca passei a noite fora de casa, você nem imagina a bronca do meu pai em nós dois. O Gustavo entendeu a preocupação, mas enfrentou meu pai. Aí, ele aproveitou e falou que queria ficar comigo, queria casar, que já estava na hora de assumir um compromisso.
- Que lindo! Parece estória de novela! E pra quando é o casório?
- Não sei. Por vontade do Guto, eu já estaria morando com ele. Ainda vamos juntar as famílias para oficializar. Eu estive pensando nessa estória de casamento. Eu sei que é o sonho de muitas mulheres, mas, na verdade, eu não gostaria de casar na igreja, véu, grinalda e flor de laranjeira, ao som da marcha nupcial. Eu acho isso muito batido. Se vamos casar, queria algo diferente.
- Eu adoro casamentos diferentes e inusitados. Talvez, você possa fazer seu vestido de noiva num tom de vermelho bem vibrante.
- Eu iria adorar inovar desse jeito. Ao som de uma balada romântica do Bon Jovi, solos de guitarra. Nossa, que escândalo! Seria o máximo! Os mais velhos iriam detestar, inclusive nossos pais.
- Seria incrível, Mila.
- É, mas sei que terei de ser mais tradicional. Sem marcha nupcial, com certeza!
Nesse momento, o Dr. Arnaldo chegou e veio em minha direção:
- Meus parabéns, Camila. Já fiquei sabendo da novidade. Vocês se completam e formam um casal muito bonito.
- Nossa! Obrigado, Dr. Arnaldo. Como ficou sabendo tão rápido?
- Encontrei o Gustavo, agora. Ele estava saindo para uma reunião, mas parou um minutinho só para me contar que vocês assumiram um compromisso e vão se casar.
- Como o senhor disse uma vez, o gelo derreteu.
- Que gelo? - indagou Sandrinha, sem entender sobre o quê falávamos.
- Não é nada, Sandrinha. É coisa de casal.
O Dr. Felício adentrou no recinto e quiz saber o quê se passava ali. Dr. Arnaldo informou a ele, que me cumprimentou. A manhã transcorreu tranquila, sem atropelos. Resolvi que não iria almoçar, só tomaria um suco e comeria um sanduiche natunal. Como você não havia ligado, achei que a tal reunião havia se estendido para um almoço de negócios. Não me preocupei, pois sabia da sua rotina. À tarde, nos veríamos, nos falaríamos e algo mais. Mal sabia que o pior estava por vir. A Sandrinha entrou correndo na minha sala, nem usou o interfone:
- Mila, atende o telefone, é urgente, é do hospital?
- Hospital?...Alô?...Sim, é Camila, o quê aconteceu?...Sim, Gustavo é meu noivo...Acidente? Como ele está?...Estou indo, imediatamente.
Comecei a tremer, meus olhos não conseguiam segurar as lágrimas.
- O que foi, Mila? O quê aconteceu com Gustavo?
- Ele sofreu um acidente de carro. Eu não sei como ele está, não me falaram. Dizem que não falam por telefone. Sandrinha, temo pelo pior.
- Não, Mila. Não pense assim. Vai dar tudo certo.
- Estou indo para o hospital. Avise o Dr. Arnaldo, por favor. Depois, de lá, darei notícias.
- Não precisa me avisar, eu vou com você, Camila.
- Dr. Arnaldo...
- O Gustavo é como um filho pra mim. Vamos?
Fomos para o hospital. Meu coração estava nas mãos, as lágrimas não paravam de rolar pelo meu rosto. Chegando lá, aquele cheiro característico de álcool, éter, medicamentos, me deixou atordoada, mas mantive-me firme. Queria saber de você, meu amor, queria vê-lo, saber se estava tudo bem e como estava.